quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Um amante da poesia...

Além ter sido o mais notável militar brasileiro, político e simpático ao republicanismo, Manoel Luis Osorio foi, também, um grande amante da poesia. Poucos de seus poemas são conhecidos, mas sabe-se que o Marechal utilizava uma linguagem simples, diferentemente do costume de sua época.


Como viverei sem ti

"Desde esse fatal momento
Que a tua vista perdi
Abismado na tristeza
Como viverei sem ti?

Cuidados consumidores,
Só no meu peito senti
Se só com o ver-te me alegro
Como viverei sem ti?

Quanta ausência custaria
Certamente não previ
Hoje por ti suspirando
Como viverei sem ti?

Como esposa amante e terna
Sempre teus passos segui
Hoje a longa distância
Como viverei sem ti?"


Este primeiro encontra-se no arquivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, sem assinatura. Mas, provavelmente foi escrito pelo General Osório após o falecimento de sua esposa a 4 de novembro de 1869.

Nada do que vejo quero

"Mostrou-me a fortuna abertas
As portas dos seus tesouros;
Mostrou-me palmas e louros;
Fez-me mil milhões de ofertas:
_Fortuna, tu não acertas!(Lhe respondo em tom severo)
_Os dons que do céu espero
Tu não podes me dar;
Torna as portas a fechar;
Nada do que vejo quero."



(Marcelle Pujol)
Fonte:
Comunidade Manuel Luis Osorio - Orkut : http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=53213697
- Osório - Síntese de Seu Perfil Histórico (J.B. Magalhães)

FRASES DO GENERAL OSÓRIO

Algumas das mais famosas frases ditas pelo General:


‘’Soldados! É facil a missão de commandar homens livres; basta mostrar-lhes o caminho do dever.”

– Que impressão sente v. exc. ao entrar em combate, perguntaram-lhe de uma feita.”Ao avistar o inimigo, enthusiasmo; ao primeiro choque, medo; ao derotal-o, pena.”

– General, retire-se; póde ser ferido.”Não te afflijas, camarada: as balas não fazem caso de mim.”


–“Quero a ordem e a liberdade, mas quando esta perigar, minha espada estará pronta para defendê-la. As dificuldades não me quebrantam o ânimo”.

–“Ainda uma vez mostremos que as legiões brasileiras, no Prata, só combatem o despotismo, confraternizando com os povos”.

–“Deve-se, antes de tudo, servir à Pátria, qualquer que seja seu governo”.

–“A data mais feliz da minha vida seria aquela em que dessem a notícia de que os povos civilizados festejam sua confraternização queimando seus arsenais”.

–“O bom soldado sabe aproveitar o tempo. A guerra não se faz com ofícios, dúvidas e consultas”.

–“A farda não abafa o cidadão no peito do soldado”.

–“Ser-me-á mais fácil morrer do que assinar uma parte dando ao meu governo a notícia de uma derrota”.

–“A força moral do soldado aumenta quando é bem comandado”.

–“Quem escreve, deve fazê-lo pela Pátria”.

–“Nunca se deve descuidar de manter a capacidade de movimento de um Exército e, muito menos, enfraquecê-lo na sua Cavalaria”.


Fontes:
1.Correio do Povo, 10 maio de 2008.
Disponível em: <http://www.correiodopovo.com.br/edicaododia.asp> Acesso 20 jul.2008.
2.Osorio: Uma vida pelo Brasil/ Beatriz, Elizabeth e Ruyter C. Ribeiro - Rio de Janeiro : Zit, 2008.
Vicente e Alexandre.

Uma Trajetória Exemplar

Osorio foi um militar de muita bravura e coragem. Participou de inúmeras guerras em defesa de sua pátria, as quais lutou e demostrou ser um verdadeiro comandante de batalha... Essa audacidade não foi à toa: desde criança, demonstrava muito interesse sobre as campanhas militares de seu pai.

Com apenas 15 anos incompletos, em 01 de maio de 1823, assentou praça na Cavalaria da Legião de São Paulo e acompanhou o regimento de seu pai na luta contra as tropas portuguesas do Brigadeiro Dom Álvaro da Costa, que estavam estacionas na Cisplatina e não aceitavam a independência do Brasil. Sua primeira batalha foi nos arredores de Montevidéu, no dia 13 de maio do mesmo ano, contra a cavalaria portuguesa.

Em 12 de outubro de 1825, já como Alferes ( Aspirante-a-Oficial ), junto ao arroio de Sarandi – sob o comando de Bento Manuel, Osorio combateu os orientais e destacou-se por salvar a vida de seu comandante. Esse feito levou Bento Manuel a legar-lhe sua lança.
Batalha de Sarandi

Tropa embarcando do Rio para Montevidéu.
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No início de 1827, agora major, o oficial continua em campanha na região de Santana do Livramente. Em 20 de fevereiro, na batalha de Passo do Rosário, seus lanceiros foram o único corpo de tropa brasileira que não foi desbratado durante a batalha. Em outubro deste ano, foi promovido a tenente e participou das convenções de paz e reconhecimento da independência do Uruguai.

Em 1865, irrompia na província gaúcha a Guerra dos Farrapos, caracterizada por agitações separatistas e que por dez anos ameaçou a unidade do Império. O Tenente Osorio estava servindo em Vila Bagé nesta época. Lá se casou com a Sra Francisca Fagundes e teve como padrinho Emílio Mallet, que lutaria a seu lado na Campanha da Tríplice Aliança mais tarde.

Entre os anos de 1835 e 1845,Osorio teve ativa participação na revolução Farroupilha, sendo sempre fiel à integridade do Império. Foi promovido a Tenente-Coronel no transcorrer da Guerra, auxiliando Caxias na feitura da paz ansiada, em 25 de fevereiro de 1845.

Finda a Guerra dos Farrapos, o Imperador D.Pedro II decidira visitar a Província a fim de consolidar a paz firmada. Com isso, Caxias confiou ao Tenente-Coronel a delicada missão: “o 2º Regimento, reorganizado e adestrado pelo próprio Osorio, escoltar o Imperador através da campanha, desde a Vila de Cachoeira até São Gabriel, na ida e na volta”. O garbo dos cavalarianos, disciplinados e impecáveis no cumprimento da honrosa missão, impressionou a Dom Pedro.

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Teatro de Operações da Guerra Farroupilha.

Após a vitória na batalha de Monte Caseros, nos subúrbios de Buenos Aires, Osorio torna-se símbolo da vitória e é promovido a Coronel,no campo de batalha, por merecimento, em 03 de março de 1852.

O 2º Regimento de Cavalaria no aproveitamento do êxito em Monte Caser

No início de 1855, foi nomeado a comandar a fronteira de São Borja. Além disso, foi promovio a Brigadeiro-graduado no ano de 1856, logo depois foi incumbido de organizar uma expedição para descobrir ricos ervais, entre os rios Pindaí e Sebolati, no Alto-Uruguai. Recebeu mais tarde o título nobiliárquico Marquês do Herval.

Região de Erval Explorada no comando de Osorio.
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Em 8 de julho de 1865, após assumir o comando e de ter reorganizado o 1º Corpo do Exército Brasileiro, Osorio foi promovido a Brigadeiro-de-Campo e participou da Rendição de Uruguaina, juntamente com Dom Pedro, Caxias e outros oficiais-generais.

No início de 1866, juntamente a Tamandaré, Osorio estuda como atravessar o Rio Paraná e, no dia 16 de abril, a tropa brasileira (composta por mil homens) realiza a passagem no local conhecido como Passo da Pátria, onde é o primeiro a pisar no solo inimigo. Prosseguindo em solo inimigo, enfrentou e vivenciou os seguintes combates e eventos importantes:

  • 2 de maio de 1866: Combate de Estero Belaco – uma depressão de terreno, pela qual se unem as águas do rio Paraná e Paraguai.
  • 24 de maio de 1866: Batalha de Tuiuti. Maior combate travado na América do Sul, onde registrou na Ordem do Dia nº 56: “A glória é a mais preciosa recompensa dos bravos.”
  • 01 de junho de 1867: Osorio é promovido a Tenente-General, penúltimo posto da hierarquia militar da época. A 25 de julho, ocupou a Fortaleza de Humaitá e substituiu a bandeira abandonada pela bandeira brasileira, instalando ali a sede do 3º corpo do Exército e sua nova base de operações.

Estado-Maior do 3º Corpo de Exército (1867).


De pé, Alferes João Carlos da Rocha Osorio, Tenente Manoel Luiz da Rocha Osorio (ambos irmãos do Coronel Pedro Luiz da Rocha Osorio, de Pelotas), Tenente Francisco Osorio Torres; sentandos Coronel Antonio Jacinto Pereira Junior, General Osorio, Capitão Manoel Jacintho Osorio, Comandante do Estado-Maior do 3º Corpo do Exército.

  • 11 de dezembro de 1867: Na Batalha do Avaí, Osorio foi ferido na face, fraturando o maxilar e nesta ocasião disse: “Coragem, camaradas! Acabem com este resto.”

No Corte do Avaí - Acervo do 3º Regimento de Cavalaria.

  • 22 de dezembro de 1868: a convite, Osorio assumiu, em 6 de junho, o comando do 1º Corpo do Exército, estacionado em Piraju, para dar início à Campanha das Cordilheiras.
  • 12 de agosto de 1868: à frente do seu 1º Corpo de Exército, capturou a praça forte Peribebuí.

Forçado pela piora de sua saúde, Osorio deixou, no dia 24 de novembro de 1868, por definitivo a campanha e quando retornava, recebeu a notícia do falecimento de sua esposa.

Em 5 de agosto de 1871, Deodoro, um dos que constantemente estiveram ao seu lado nos campos de batalha, entregou-lhe, solenemente, em Porto Alegre, custosa espada de horna, cinzelada em ouro e ornada de brilhantes. Em sua lâmina de fina aço, estavam gravadas as batalhas e combates em que heroicamente se empenhara.

A 11 de janeiro de 1877, foi escolhido pela Princesa Isabel para Senador do Império pela Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Em 2 de junho deste mesmo ano, foi lhe outorgada a patente de Marechal-de-Exército Graduado, posto máximo no Exército da época.

No dia 4 de outubro de 1879, aos 71 anos de idade, faleceu. “ Perdia o Brasil, naquele momento, um soldado de trajetória cívico-militar exemplar. Extinguia-se uma das mais valiosas existências, símbolo de um povo, síntese de uma época.” .



Bibliografias utilizadas:
1.General Osorio 200 anos - Uma Trajetória Exemplar de Soldado. Publicação especial do Centro de Comunicação Social do Exército - CCOMSEx.
2.Osorio/Coronel Pedro Paulo Cantalice Estigarribia. - Porto Alegre: Nova Prova,2008.



(Marcelle Pujol)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Uniformes de Osorio

Estes são alguns dos uniformes que Manuel Luis Osório
utilizou durante a sua carreira militar:


MARECHAL OSORIO (Grande Uniforme - 1877)


CORONEL OSORIO (Grande Uniforme, 2º RCL - 1852)

TENENTE OSORIO (Grande Uniforme, 5º RC - 1831)

Vicente - 80710/28

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O CENTENÁRIO DE OSORIO

O centenário do Marechal Osorio foi assim noticiado pelo Correio do Povo em 10 de maio de 1908:




HÁ UM SÉCULO NO CORREIO DO POVO Pesquisa e edição: Equipe CP Memória cpmemoria@correiodopovo.com.br Correio do Povo do dia 10 de maio de 1908 noticiava:

OSORIO Passa hoje o centenário do heróe! Que fale delle e de seus feitos quem, em prosa e verso, saiba dizer e cantar feitos de heróes; quem, manejando a penna ou tangendo a lyra, saiba exprimir os sentimentos que abalam a alma, enchendo de entusiasmo corações que pulsam pela Pátria, ao relerem as façanhas dos vultos legendários, que encheram de gloria as páginas da história da patria. Rendendo homenagem á memoria do grande cabo de guerra, a Pátria orgulhosa e agradecida, solemnisa a data de hoje, que marca cem annos atrás, o nascimento de um de seus mais gloriosos servidores. (Lannes Costa) O general Osorio era rio-grandense: nasceu na villa de Nossa Senhora da Conceição do Arroio, a 10 de maio de 1808. Seus paes foram o tenente-coronel Manoel Luiz Silva Borges e d. Anna Joaquina Luiza Osorio. A 1º de maio de 1823, assentou praça como voluntario, na cavallaria da Legião de S.Paulo; faltavam ainda dez dias para completar idade de 15 annos, exigida por lei para verificar praça; então o general Lecór dispensou esse lapso de tempo, sendo por tanto reconhecido primeiro cadete a 1º de outubro de 1824, e no dia 24 de dezembro do mesmo anno promovido ao posto de alferes. Parece que alguma cousa de predestinação segue desde o berço certos indivíduos.

Fonte: Correio do Povo, 10 maio de 2008. Disponível em: <http://www.correiodopovo.com.br/edicaododia.asp> Acesso 20 jul.2008.

domingo, 20 de julho de 2008

Marechal Osorio

Manoel Luís Osorio, o Marquês do Herval, foi um dos principais chefes militares brasileiros do Século XIX, nasceu no dia 10 de maio de 1808 na Fazenda Nossa Senhora da Conceição do Arroio (atual Parque Histórico Marechal Osório e pertencente a Tramandaí) na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Era filho do militar Manoel Luis da Silva Borges e de Ana Joaquina Luísa Osório.


É conhecido pelas alcunhas de:

O centauro.

O lendário.

A Lança do Império.

O general intrépido que combatia no front das batalhas.

O estrategista cujas façanhas impressionavam até os inimigos.

O guardião das fronteiras do Brasil,

Marechal Osorio foi um herói nacional,

foi militar e político brasileiro.
(Vicente - 80710 /o:28)

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Osorio, o Patrono da Cavalaria

"- Manuel Luís Osorio era seu nome,
Digno filho dos campos do Sul do Brasil,
Fez, a cavalo, nas batalhas o seu renome,
Com atos heróicos e exemplos mil.

- Criado em meio às lutas por limites no Prata,
Com sua natureza nascida para comandar,
Defendeu nossa Pátria que lhe será sempre grata,
Enaltecendo, como merece, o grande chefe militar.

- Espírito sempre aberto à fraternidade,
Fascinou os seus chefes e subordinados,
Com sua audácia que raiava à temeridade,
Sem chegar aos exageros dos alienados.

- Ao inimigo não teme nem despreza,
Reconhecendo-o, com exatidão, nas lomas e macegas
Procurando aplicar a vantagem da surpresa,
Para vencê-lo nas inúmeras refregas.

- Humaitá, Lomas Valentinas, Avaí,
Cisplatina, Monte Caseros, Passo do Rosário,
Belaco, Passo da Pátria e Tuiuti,
Foram campanhas e batalhas em que lutou Osorio.

- Em todas elas sem nunca ser batido,
E em outros combates de tão grande furor,
Encarou impávido a morte e o perigo
Mostrando, pelo exemplo, o seu grande valor!

- No seu brasão as três estrelas douradas
Representam os ferimentos sofridos nas batalhas
Nas quais, com ações tão ousadas,
Enfrentou as lanças e as metralhas.

- Barão, Visconde e Marquês do Herval,
São os títulos honrosos que possui
Mas nenhum deles, até o de Marechal,
Sobrepuja o de “Legendário”, que conseguiu.

- Osorio foi grande até no leito de morte,
Enfrentando-a sem temor e com serenidade;
Perguntando ali, por alguém, com estava a sua sorte,
Respondeu: “Águas abaixo... para a eternidade...”

- O caminho do sacrifício e do Descer,
Ainda hoje nos é apontado por sua imagem,
Parecendo que estamos sempre a reviver
Aquele cavalariano – heróico personagem!

- E para quem o heroísmo foi sempre a mística,
Justa homenagem prestou-lhe a nobre Arma, um dia
Fazendo-o, graças à sua figura tão característica,
O lendário PRATONO DA CAVALARIA!”
Mário O. R. Sampaio
(Aluna Marcelle Pujol)